POLICIAL: 10/06/2010 - Um pescador de 54 anos foi preso em flagrante por suspeita
de manter a filha, de 28 anos, em cárcere privado desde 1998 e ter sete
filhos com ela, em Pinheiro (MA). Segundo a Polícia Civil, a prisão
aconteceu logo após o pescador ter tentado manter relações sexuais com
uma das crianças, de aproximadamente 6 anos. Os policiais precisaram
usar canoas para chegar ao local.
O caso foi descoberto após denúncia anônima feita durante uma
passeata contra a pedofilia, na capital maranhense, há 15 dias. O
pescador e a filha moravam em uma casa de dois cômodos, feita de barro e
pedaços de madeira e coberta de palha. O imóvel fica no povoado de
Experimento, uma região afastada do Centro de Pinheiro, a mais de 300
quilômetros de São Luís.
Segundo o delegado Jair Lima de Paiva Júnior, superintendente da
Polícia Civil do Interior do Maranhão, nenhum dos sete filhos do
pescador com a filha foi registrado em cartório ou tem documento de
identidade. "Por isso fica difícil saber a idade exata de cada uma
delas. Pelo levantamento inicial, todas nasceram na própria casa, nunca
viram um hospital de perto e sequer frequentaram escola."
Júnior disse ainda que a mãe das crianças não sabe ler e escrever.
"Segundo depoimento da jovem, o pai começou a praticar sexo com ela
quando tinha cerca de 16 anos. Dessas relações nasceu o filho mais
velho, que tem cerca de 12 anos. O casal ainda tem uma criança, de 2
meses."
Como vivia em cárcere privado, a mãe das crianças nunca trabalhou.
"Ela vivia para cuidar dos filhos e não saía da casa. Agora, as crianças
estão sob cuidados do Conselho Tutelar de Pinheiro, que está
providenciando atendimento médico para todas elas", afirmou o delegado.
No momento da prisão do pescador, as crianças ainda não tinham se
alimentado. "Algumas delas aparentam sinais de desnutrição e uma delas é
portadora de deficiência auditiva. O afastamento delas da sociedade era
tão grande que elas correram com medo quando os policiais chegaram de
carro."
O pescador está detido na carceragem da Delegacia de Pinheiro, em
cela separada dos demais, onde deve permanecer até a conclusão do
inquérito policial, presidido pela delegada Adriana Meireles.
"Inicialmente, ele será indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável,
abandono material, abandono intelectual, maus-tratos e cárcere
privado."
A promotoria da Infância e da Juventude de Pinheiro foi informada
sobre o caso. A primeira mulher do pescador, mãe da jovem, também foi
ouvida pela delegada sobre o caso. "Ela nos informou que não tinha
conhecimento da situação de sua filha com o pescador. Hoje, ela mora em
São Luís com outro marido e filhos", disse o delegado.
Sobre a suspeita de que o pescador tivesse estuprado uma das
crianças, de 6 anos, um exame preliminar feito por legistas de Pinheiro
apontou lesões na genitália da menina. "Ainda não podemos confirmar a
conjunção carnal, mas houve a tentativa", afirmou Júnior. A mãe das
crianças está recebendo apoio de assistentes sociais.
Da Redação com G1
