quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CNA defende política de desenvolvimento econômico especifico para produtores rurais do Nordeste


A adoção de uma nova política de desenvolvimento econômico específica para produtores rurais do Nordeste poderá resolver problemas crônicos da região e permitir um crescimento contínuo e sustentável, com distribuição de renda. Esse entendimento do Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, foi elogiado pelo presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso.

“Já reivindicamos esse tratamento diferenciado há muito tempo, principalmente, pelas diferenças regionais desfavoráveis, sendo o clima, a topografia, o grau de mecanização e o endividamento, as mais significativas”, argumenta Murilo. Ele lembra que a incapacidade financeira dos pequenos e médios produtores rurais de quitarem os financiamentos contratados junto aos bancos, em muitos casos, está inviabilizando a atividade de produção rural.

O presidente da CNA, João Martis, reforça essa argumentação do dirigente da Asplan. “É preciso um modelo econômico específico para a região, tendo em vista que medidas pontuais como a renegociação da dívida dos produtores, ação necessária e urgente para atender os agricultores, não resolvem mais o problema”, destaca Martins.

A questão do endividamento dos produtores nordestinos junto aos bancos, especialmente no caso do Banco do Brasil e do Nordeste, foi discutida nesta semana durante encontro do presidente da CNA com o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB). João Martins informou ao parlamentar paraibano que a CNA está elaborando um documento contendo proposta, a ser encaminhada ao Governo Federal, com subsídios para solucionar, em definitivo, questões essenciais que se arrastam há décadas e impedem o crescimento sustentado da economia regional.

O presidente da Asplan lembra ainda que é preciso um esforço conjunto de toda a classe política nordestina, especialmente dos deputados federais e senadores, no sentido de proporem e aprovarem leis com esse tratamento diferenciado em relação  ao produtor nordestino. “Além da bancada nordestina no Congresso Nacional propor novos caminhos, é preciso chamar atenção dos demais parlamentares do país para a importância da busca de uma solução definitiva para o problema do endividamento dos produtores rurais do Nordeste que se arrasta há décadas e nunca foi resolvido”, desabafa Murilo.


Um resumo dos estudos que estão sendo feitos pela CNA mostra o nível de comprometimento dos pequenos produtores rurais da região junto aos bancos. Segundo dados da Confederação, em 2008, existiam 35 mil produtores inscritos na dívida ativa, correspondendo a R$ 8 bilhões. Em 2015, o número de agricultores subiu para 150 mil e o volume da dívida atingiu R$ 15 bilhões, levando-se em conta dados consolidados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A maior parte dos devedores é pequeno produtor rural, com dívidas de até R$ 50 mil.


Assessoria da CNA