.

quinta-feira, 5 de março de 2009

100 Anos de história: Patativa de Assaré

CULTURA: 05/03/2009 - Imagem: Arquivo - Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (nascido em Assaré, no dia 5 de março de 1909 — foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro, faleceu no dia 8 de julho de 2002.
Biografia
Uma das principais figuras da musica nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local, em que é alfabetizado, por apenas alguns meses. Mesmo antes disso já compunha versos próprios, os quais ele decorava. Aos dezesseis anos sua mãe vende uma ovelha e lhe dá sua primeira viola. À partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebe o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Patativa viaja para Belém do Pará, e para Macapá (Amapá) onde apresentava-se como violeiro.
Volta para o Ceará para trabalhar na terra, indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.
Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista").
Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos.
Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados.
Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação etc).
A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta").
Patativa transitava entre ambos os campos com uma facilidade camaleônica e capacidade criadora e intelectual ainda não totalmente compreendidas pelo meio acadêmico.
Sua obra, de dimensão tanto estética quanto política, aborda diferentes temas e possui outras vertentes além da social/militante; como a telúrica, religiosa, filosófica, lírica, humorística/irônica, motes/glosas, entre outras.
As múltiplas tentativas de categorização da obra de Patativa do Assaré (muitas vezes subjetivas e sem base teórica) expõem falhas inerentes dos próprios parâmetros de julgamento.
Estes, na maior parte, baseados em pressuposições e preconceitos que levam a dois extremos: a representação idealizada do mito, a exclusão pela classe social, nível de escolaridade etc.
Obras Livros de poesia
1956 - Inspiração Nordestina (2003) 1967 - Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa 1978 - Cante Lá que Eu Canto Cá 1988 - Ispinho e Fulô (2005) 1991 - Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. com Geraldo Gonçalves de Alencar) 1993 - Cordéis (caixa com 13 folhetos) 1994 - Aqui Tem Coisa (2004) 2000 - Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré (Org. Sylvie Debs) 2001 - Digo e Não Peço Segredo (Org. Guirlanda de Castro e Danielli de Bernardi) 2001 - Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. Geraldo Gonçalves de Alencar) 2001 - Ao pé da mesa (co-autoria com Geraldo Gonçalves de Alencar) 2002 - Antologia Poética (Org. Gilmar de Carvalho)
Poemas
A Triste Partida Cante Lá que eu Canto Cá Coisas do Rio de Janeiro Meu Protesto Mote/Glosas Peixe O Poeta da Roça Apelo dum Agricultor Nordestino Sim, Nordestinado Não Se Existe Inferno Vaca estrela e Boi Fubá Você e Lembra? Vou Vorá
Títulos e prêmios
1979 - Homenageado pela programação cultural do encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, em Fortaleza 1982 - Recebe o diploma de “Amigo da Cultura”, outorgado pela Secretaria da Cultura do Estado, pela “decidida atuação a favor do aprimoramento cultural do Ceará” 1982 - Cidadão de Fortaleza, título aprovado pela Câmara Municipal 1987 - Recebe a “Medalha da Abolição”, pelos “relevantes serviços prestados ao Estado” 1989 - Cariri Ceará - Doutor Honoris Causa pela Universidade Regional de Cariri 1989 - Inauguração da rodovia “Patativa do Assaré”, com 17 km, ligando Assaré a Antonina do Norte 1991 - Enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza[] 1995 - Fortaleza Ceará - Prêmio do Ministério da Cultura na categoria Cultura Popular entregue pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso no Teatro José de Alencar 1998 - Recebe, dia 22 de maio, a “Medalha Francisco Gonçalves de Aguiar”, do Governo do Estado do Ceará, outorgada pela Secretaria de Recursos Hídricos 1999 - Assaré Ceará - Inauguração do Memorial Patativa do Assaré 1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Ceará - UECE 1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará - UFC 1999 - Prêmio Unipaz, VII Congresso Holístico Brasileiro, Fortaleza, dia 20 de outubro 2000 - Na festa dos 91 anos, recebe o título de Cidadão do Rio Grande do Norte 2000 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Tiradentes, de Sergipe 2001 - Terceiro colocado na eleição do “Cearense do Século”, promovido pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação (o vencedor foi Padre Cícero). 2001 - Recebe o troféu “Sereia de Ouro”, do Grupo Edson Queiroz, no Memorial Patativa do Assaré, dia 28 de setembro 2002 - Prêmio FIEC, "Artista do Turismo Cearense", Fortaleza 2003 - Prêmio UniPaz, V Congresso Holístico de Crianças e Jovens, Fortaleza 2005 - Inauguração da "Biblioteca Pública Patativa do Assaré", Piauí 2004 - Título EFESO "Cidadão Empreendedor"(Escola de Formação de Empreendedores Sociais) 2004 - Troféu MST (Homenageado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) 2005 - Homenageado com Medalha Ambientalista Joaquim Feitosa 2005 - Inauguração da "Biblioteca Pública Patativa do Assaré", Vila Nova, Piauí 2005 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade (?), Mossoró, Rio Grande do Norte,
Mais informações:
Prefeitura Municipal de Assaré/CE
Rua, Padre Agamenon Matos Coelho, 148, Centro
(88) 3535.1163 / 1613