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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Elo Mulheres e Elo Diversidade da Rede Sustentabilidade contra a cultura do estupro

01 (um) é demais, 30 (trinta) é barbárie.
Tempos difíceis? NÃO – na questão do estupro ainda estamos na Idade Média com direito assegurado aos soldados de violentarem as mulheres por onde passassem e a complacência dos outros homens e mesmo de algumas mulheres. O estupro é inaceitável – independente da idade, da condição social, econômica, vestuário, modo de vida, orientação sexual. É um crime hediondo, uma invasão – literal e figurada – do direito de ser Humano, um cerceamento à livre escolha – onde e quando ir, o que pensar e como agir. É inaceitável que seja considerado motivo de orgulho ou mesmo “normal” ou “justificável”, por um único homem ou mulher: é um atentado à dignidade e ao respeito. É motivo de luto nacional.

O Elo Mulher e o Elo Diversidade da Rede Sustentabilidade expressam seu mais profundo repúdio ao crime de estupro coletivo e humilhação pública contra a adolescente de 16 anos acontecido no Rio de Janeiro e àquele acontecido no Piauí, ambos nos últimos dois dias. São crimes de dimensão imensurável – violência física, moral, contra o corpo, o sentimento, o amor próprio, a auto imagem, o futuro – não tem justificativa, nunca, em nenhum caso. Se 01 é demais, imaginem mais de 30 – pura barbárie. Divulgar como um troféu esta ação deveria envergonhar não só os autores do crime mas aqueles que ao fazê-lo se tornam cúmplices da barbárie. É um retrocesso civilizatório apoiado pelo que deveria ser um avanço no acesso democrático à informação. As instituições não devem permitir que essa violência fique impune, nem que existam condições para que se repita – nem 30, nem um único estupro é aceitável! Nossa sociedade ainda vê o machismo como “normal” e busca justificá-lo, culpando a vítima e não os agressores.

Os números no Brasil são estarrecedores e sub notificados, 13 mulheres são “oficialmente” estupradas por dia, apesar dos avanços conseguidos através da luta das mulheres, avanços esses materializados em um ministério que, até há pouco, se dedicava inteiramente ao empoderamento das mulheres e pelo Conselho Nacional de Políticas para as Mulheres.

Quando uma de nós é violentada, todas nós estamos em risco. O agressor pode morar ao lado ou pior, dentro de casa, em nossos círculos mais íntimos de confiança. Para que essa realidade mude, precisamos avançar nas políticas públicas de igualdade de gênero, nas melhorias no Plano Nacional de Educação, para que se discuta desde cedo o respeito à integridade física, moral e psicológica das mulheres e das pessoas LGBT. Só conseguiremos isso através da inclusão de mulheres e da diversidade nos espaços políticos. A mudança virá através da nossa representação nos espaços de decisão. Repudiamos qualquer forma de violência contra as mulheres, contra as pessoas LGBT e contra os seres vivos. Repudiamos a difusão e compartilhamento do vídeo e de fotos da(s) vítima(s).

Exigimos das autoridades policiais que cumpram seu papel com rigor, continuando as investigações até todos os culpados serem encontrados e punidos exemplarmente pela Justiça. As instituições públicas e a sociedade devem dar o apoio necessário para que essa adolescente recupere sua integridade física e emocional – para que todas as vítimas de estupro consigam fazê-lo e para que todos os estupradores sejam punidos, sempre. Chamamos toda a sociedade para a luta contra a cultura machista que ainda permeia nossas entranhas. Por políticas públicas de empoderamento das mulheres e das minorias, por instituições que as defendam e representem. Por Justiça e por respeito.


ELO MULHERES 
ELO DIVERSIDADE 
REDE SUSTENTABILIDADE