(Foto: reprodução/O Globo)
NOTÍCIAS: 16/09/2010 - A
Corregedoria-Geral do Ministério Público de São Paulo decidiu aplicar
uma pena de suspensão de 22 dias ao promotor Eliseu José Berardo
Gonçalves, de Ribeirão Preto. Ele é acusado por Suzane von Richthofen
(foto), condenada por matar os pais em 2002, de tentar seduzi-la dentro
da Promotoria. Berardo nega a acusação. A notícia é da Folha de S.
Paulo.
Segundo a jovem, o promotor se ofereceu para ajudá-la e
teria colocado uma música romântica quando ela foi ao gabinete dele, em
2007, depor sobre maus tratos na Penitenciária de Ribeirão, onde estava
presa.
De acordo com a decisão publicada nesta terça-feira (14),
no Diário Oficial do Estado, ele "descumpriu seu dever funcional"
previsto na Lei Orgânica do Ministério Público Estadual. Segundo a
decisão, o promotor deve "manter, pública e particularmente, conduta
ilibada e compatível com o exercício do cargo".
De acordo com a
Folha, o promotor invocou a justiça divina e afirmou que muitas das
provas colhidas eram falsas e que pessoas "mentiram descaradamente". Nos
22 dias de suspensão, ele não vai receber salário. Procurada, a
Corregedoria não disse a qual caso se refere a punição — alegou que o
processo corre sob sigilo. Mas o promotor admitiu que é o caso de
Suzane.
O advogado de Suzane, Denivaldo Barni, disse na época, e
reiterou nesta terça, que só soube pela imprensa do depoimento da
cliente.
O outro lado
O promotor Eliseu
José Berardo Gonçalves, de Ribeirão Preto, a 313 km de São Paulo, foi
punido com suspensão de 22 dias pela Corregedoria do Ministério Público
Estadual depois de uma denúncia de assédio feita por Suzane von
Richthofen. Condenada, a jovem cumpre pena por matar os pais em 2002.
Em
depoimento no ano passado à juíza da Vara de Execuções da Comarca de
Taubaté, a 120 km de São Paulo, Suzane declarou que o promotor da Vara
do Júri e de Execuções Criminais se apaixonou por ela e a levou duas
vezes para seu gabinete quando esteve presa na Penitenciária de Ribeirão
Preto. Ao G1 ele admitiu: “Alguns fatos são verdadeiros. Outros foram
distorcidos. Não me apaixonei por ela. Nego com veemência”.
A
decisão da Corregedoria saiu no Diário Oficial do Estado nesta
terça-feira (14), mas Gonçalves disse na tarde desta quarta-feira (15)
que ainda não tinha sido informado da decisão do corregedor. Ele afirmou
estar “triste” e “surpreso” com a punição. E jurou não guardar mágoa ou
ódio de Suzane, apesar de as declarações dela terem afetado sua vida
pessoal.
“Esse episódio acabou com meu relacionamento”, revelou o
promotor, que tinha uma “união estável” com uma mulher. “Sempre ficou
uma dúvida por parte dela", completou ele, sobre a desconfiança da então
parceira depois das denúncias de Suzane. “Nunca mais quero ouvir falar
dessa moça, mas não sinto raiva”, afirmou Gonçalves, sempre se referindo
à presa como “moça.”
Sobre os “fatos verdadeiros”, o promotor
admitiu que, em janeiro de 2007, Suzane ficou muito tempo em seu
gabinete e que, por isso, comprou lanche para ela. A jovem tinha ido
depor sobre denúncias de supostos maus-tratos na prisão. Também contou
que deu “beijinho no rosto" na hora de se despedir de Suzane e de outras
presas em uma das duas visitas que disse ter feito à Penitenciária
Feminina de Ribeirão Preto, onde a condenada estava. “Foram fatos
provados que eu mesmo admiti (à Corregedoria)”, disse Gonçalves. G1