POLÍTICA: 15/09/2010 - Milhares
de eleitores paulistas estão apostando a solução de sérios problemas do
país num candidato a deputado federal com larga experiência como
equilibrista, mágico e palhaço. Com estes predicados, o comediante
Tiririca, famoso pela canção-chiclete “Florentina, Florentina”, pretende
sentar numa das cadeiras da Câmara dos Deputados, em Brasília, em
janeiro de 2011. Ele vem liderando as pesquisas de intenção de voto em
São Paulo. Embora não se trate propriamente de uma piada, humor não está
faltando na campanha do humorista cujo slogan é “Tiririca, pior que tá
não fica”.
Sites
e blogs vêm comemorando com galhardia o sucesso do novo voto cacareco
da praça. Circulam estimativas na internet que, a 20 dias das eleições,
dão a Tiririca (PR) 1 milhão de votos — o dobro do que recebeu o
estilista Clodovil nas eleições de 2006.
— Não acharia uma aberração se Tiririca recebesse 1 milhão de votos — avalia o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro.
As
pesquisas de intenção de votos para deputado não são registradas nos
tribunais eleitorais. Por isso, o Ibope não divulga os percentuais.
Trata-se de um serviço pago por candidatos que são cadastrados no
instituto. Entretanto, Montenegro revela que o acumulado de cinco
rodadas de entrevistas (um total de cerca de 9 mil) com eleitores mostra
Tiririca como o concorrente à Câmara dos Deputados mais citado em São
Paulo.
Mais quatro a reboque
—
Se ele tiver realmente um milhão de votos, consegue eleger outros três
ou quatro deputados da coligação (que inclui o PR, o PT e o PC do B) —
conta Montenegro.
Tiririca,
claro, é apelido. Seu nome de batismo é Francisco Everardo Oliveira
Silva. Auto-definindo-se como “abestado”, ele diz que quer ajudar os
mais necessitados. Inclusive a própria família.
O candidato ’lindo’
Tiririca
vem se especializando em transformar o horário político de televisão em
programa humorístico. Rebolando e paramentado com as famosas roupas
coloridas, o comediante admite que não sabe muito bem o que um deputado
faz e se intitula o “candidato lindo”. Recentemente, numa entrevista ao
jornal “Folha de São Paulo”, Tiririca respondeu à pergunta sobre quem
financiava sua campanha de um jeito bastante pessoal:
—
Então... o partido entrou com uma ajuda aí... e eu achei legal — disse,
na época, surpreendendo, mais adiante, ao responder o que sabia sobre a
atividade de um deputado:
— Para te falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá, vou passar a conhecer.
Tiririca
não é o primeiro. O eleitor de São Paulo tem se mostrado bastante
criativo na hora de votar. Em 2006, dois dos escolhidos foram o
estilista Clodovil, morto no ano passado, e o cantor Frank Aguiar.
Clodovil
disputou pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). Recebeu 493.951 votos,
sendo o terceiro candidato mais votado no estado de São Paulo e o
quarto do país. Clodovil marcou sua legislatura com muita polêmica.
Antes de tomar posse na Câmara, o estilista disse ao jornal argentino
“Perfil” que poderia barganhar seu apoio ao governo em troca de
dinheiro.
Também
em 2006 o cantor Frank Aguiar elegeu-se deputado federal, pelo Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), com 144.797 votos. Assumiu em 2007, mas,
dois anos depois, ele se tornou vice-prefeito da cidade de São Bernardo
do Campo. Este ano, ele concorre novamente.
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