A publicação da foto é
reveladora de pelo menos duas coisas: ela confirma que Ricardo Coutinho estará
ao lado de Lula na eleição do ano que vem e que Ricardo Coutinho continua sendo
uma peça-chave na montagem do tabuleiro eleitoral do próximo ano, sobretudo
depois da completa desmoralização da Lava Jato e do lavajatismo, que se revelam
pelos percentuais crescentes que Lula obtém a cada pesquisa, sobretudo no
Nordeste — enquanto isso, o presidente que deve o mandato à Lava Jato e a
Sérgio Moro desliza para dentro do buraco da impopularidade, cada ver maior, e
dependente do apoio do Centrão para governar e tentar chegar até o fim do
mandato no cargo.
Essas duas constatações
terão injunções eleitorais e nas alianças políticas na Paraíba. No caso do
apoio do PP a Jair Bolsonaro — o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira,
vai comandar a Casa Civil, — tende a ter como consequência o apoio de Aguinaldo
Ribeiro e Cícero Lucena à reeleição do atual presidente, em razão da gigantesca
“capacidade de convencimento” que a principal liderança do Centrão dispõe,
agora no principal posto político da República, depois do presidente.
Com o PP definitivamente
incorporado ao campo bolsonarista, onde já se encontram Romero Rodrigues e o
atual prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, tanto o ex-governador Cássio
Cunha Lima quanto João Azevedo podem ficar num mato-se-cachorro.
Sobretudo João Azevedo, que hoje aposta suas fichas na montagem de um palanque amplo, que “dialogue” tanto com o eleitorado bolsonarista quanto com o lulista. Além disso, considerando a Arca de Noé em que se transformou a base política de JA, vai ser difícil acomodar tantos interesses díspares. E tem mais. Se o quadro nacional for mantido, a polarização Lula-Bolsonaro tende a se refletir nas composições e acomodações dos estados, como já aconteceu em 2018 na Paraíba, como bem sabe o governador.
Aqui entra a segunda
injunção eleitoral da foto simbólica. A proximidade entre Ricardo Coutinho e
Lula — mais do que isso, as demonstrações de lealdade de Ricardo Coutinho a
Lula ao longo dos últimos anos, certamente os mais difíceis da vida do
ex-presidente, — associada à grande
liderança e capacidade de diálogo do ex-governador, tendem a consolidá-lo como
o veio por onde passarão as principais articulações do palanque lulista na
Paraíba, sobretudo se RC entrar no PT, como tentam antecipar nossos cada vez
mais confusos analistas, que mudam de versão como mudam suas roupas de marca.
O que restará a João
Azevedo, além de sua ausência de liderança e um governo medíocre para mostrar
ao eleitorado no próximo ano? A máquina do governo do estado. É, mas em 2010,
um político com muito maior experiência e prestígio político e administrativo
como José Maranhão, também dispunha dessa arma. E, como todos sabem, foi
insuficiente.
É aquela história: a esperteza,
quando é demais, acaba engolindo o esperto.
Por Flávio Lúcio Vieira