No Dia Mundial de Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista, exemplo de Kaline Souza se torna referência para milhares de famílias
Ainda muito pequeno, Dimitri apresentava sinais singulares de interação, reações sensoriais específicas e dificuldades na comunicação. Kaline percebeu antes mesmo de qualquer confirmação clínica que algo diferente acontecia. Em agosto de 2020, em plena pandemia, sua vida profissional sofreu uma reviravolta repentina. Após dez anos atuando como Gerente Regional Nordeste em uma multinacional farmacêutica, Kaline foi desligada durante uma reunião virtual. Uma semana depois, chegou o diagnóstico: Dimitri, com apenas 1 ano e 10 meses, tinha o Transtorno do Espectro Autista.
Sem revolta, Kaline escolheu o caminho do aprendizado. Mergulhou em formações técnicas, estudos científicos e práticas baseadas em evidências. O que começou como necessidade de mãe transformou-se em missão de vida. Desse mergulho, nasceu o "Espectro do Saber", um movimento dedicado a capacitar famílias, educadores, escolas e empresas na compreensão e inclusão da neurodiversidade. Kaline enfrentou resistências: muitas instituições se diziam inclusivas, mas pouco se abriam para capacitação real. Ainda assim, persistiu. Percebeu, então, uma lacuna ainda mais profunda: enquanto seu filho tinha acesso a terapias e acompanhamento, inúmeras crianças autistas em situação de vulnerabilidade social não tinham nenhuma oportunidade.
Foi essa constatação que deu origem ao Instituto AUT – Amigos Unidos pelo Transtorno do Espectro Autista. Inaugurado no segundo semestre do ano passado, o Instituto, que depende de voluntários e doações, só conseguiu iniciar os atendimentos no último mês de março. Os atendimentos gratuitos são multidisciplinares, nas áreas de Psicologia, Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia e Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Todos com acompanhamento terapêutico integrado a crianças com TEA e em situação de vulnerabilidade.
Com estrutura própria e abordagem humanizada, o Instituto não cuida apenas da criança, acolhe toda a família, oferecendo orientação, suporte emocional e ações educativas. O objetivo é reduzir desigualdades no acesso ao tratamento especializado, combater a desinformação e construir uma sociedade mais empática e inclusiva.
"Mesmo diante dos desafios como a falta de voluntariado engajado e a dificuldade de atrair parcerias corporativas contínuas, segui firme, acreditando que inclusão não é conveniência, mas serviço. Cada obstáculo é, na verdade, uma direção", destaca a presidente do Instituto AUT e CEO do movimento "Espectro do Saber".
02 de Abril
O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 para promover o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e fomentar a inclusão social. O Brasil possui, atualmente, cerca de 2 milhões de crianças autistas. De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE (divulgado em 2025), a Paraíba tem 46.560 pessoas diagnosticadas com TEA, o que corresponde a 1,2% da população do estado. A maioria dos diagnósticos concentra-se em crianças e adolescentes.
Assessoria
