Zé Aldemir chora — não de fraqueza, mas de perplexidade. Chora o tipo de choro que só a política produz: aquele que mistura memória, lealdade cobrada e promessas não devolvidas. O ex-prefeito, que um dia abriu portas, costurou alianças e apontou caminhos, agora amarga o vácuo. Não houve ligação, não houve mensagem, não houve sequer o gesto mínimo do protocolo afetivo. O silêncio virou método. E método dói.
Do outro lado da praça, Júnior Araújo ri. Não o riso escancarado, mas o riso de quem colhe por gravidade. O apoio cai no colo, a foto sai alinhada, o discurso flui sem ruído. A prefeita Corrinha Delfino, antes ponte, hoje parece margem definida: toda a atenção, todos os sinais, toda a luz apontam para o deputado que segue em destaque, embalado por uma união que rende frutos visíveis.
Ironia das ironias: não faz tanto tempo assim que Zé e Júnior trocaram farpas, ataques, palavras duras. Adversários declarados, selaram as pazes na última eleição como quem assina um armistício necessário. A união veio depois de anos de embates — e funcionou. Funcionou até o prêmio entrar em cena. Porque na política, quando o troféu se aproxima, a moldura racha.
Agora competem. Pelos votos. Pelos apoios. Pelo afago decisivo da prefeita. Zé diz que esperou. Espera ainda. Conta que a última conversa terminou com uma promessa de retorno após reunião com o deputado Júnior Araújo. O retorno nunca veio. E a ausência, quando prolongada, vira resposta.
A pergunta que ecoa nos corredores é cruel e inevitável: a criatura engole o criador? Corrinha, indicada entre tantos nomes, hoje governa sem falar com quem a lançou. Dirá ela que o combinado mudou? Que o acordo com Zé Aldemir era o apoio para federal e virou estadual? Que o tempo rearranjou as prioridades? Talvez. Na política, versões disputam espaço com fatos — e o silêncio costuma escolher a versão que mais convém.
Enquanto isso, Júnior segue sorrindo, embalado pelo apoio público e pela imagem de unidade. Zé segue chorando, não por derrota decretada, mas pela sensação de ter sido deixado do lado de fora da própria história. Em Cajazeiras, o jogo começou antes do apito. E, por ora, o silêncio vence por goleada.
Com Inf. do Blog MaisInformado
