Fábio Luís foi mencionado em investigação, mas até agora não foi identificada participação direta dele nos fatos; defesa classificou menções como ‘ilações’ e disse que ele não tem nenhuma relação com INSS
Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atuou anteriormente na defesa de Lulinha, afirmou que ele está “absolutamente tranquilo e acostumado com esse tipo de ilação”. “Ele reitera que não tem relação direta ou indireta com o INSS. Isso é mais uma vilania, mais uma tentativa de desgastar o governo”, disse.
A PF disse que investiga se Fábio Luís Lula da Silva poderia ter atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o governo federal. Procurada, a defesa de Antônio Camilo afirmou que não ia se manifestar sobre os trechos porque não teve acesso à íntegra da extração do telefone celular dele até o momento nem teve resposta do STF a pedidos feitos sobre averbação de bens e liberação de valores para pagamentos de dívidas trabalhistas. A defesa de Lulinha afirmou que ele nunca foi sócio do Careca do INSS.
Na representação enviada ao ministro do STF André Mendonça, os investigadores ressalvam que o filho do presidente foi mencionado em conversas de terceiros, mas até agora não foi encontrado nenhum elemento que indique sua participação direta nos fatos sob investigação.
A hipótese apurada pela PF é se Fábio Luís manteve uma sociedade oculta com o Careca do INSS por meio de uma amiga em comum entre eles, a empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro. Luchsinger firmou um contrato de consultoria com o Careca do INSS para ajudá-lo na prospecção de negócios com o governo federal e recebeu R$ 1,5 milhão do empresário.
Em nota, a defesa de Luchsinger afirmou que ela foi procurada por Antônio Camilo para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol e que os negócios “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. “Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, disse em nota. A defesa afirmou ainda que a empresária “possui relação pessoal com Fábio Luís e sua família há vários anos e não é a primeira vez que surgem ataques a Roberta ou a Fábio, fruto de sua amizade”.
A PF citou que Lulinha “poderia atuar como sócio oculto” do Careca do INSS, por intermédio de Roberta. “A fim de dar transparência à investigação para todos os atores da persecução penal, a partir da relação estabelecida entre ANTÔNIO CAMILO e ROBERTA LUCHSINGER, vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto entre ANTÔNIO CAMILO e terceiro que, em tese, poderia atuar como sócio oculto, por intermédio da mencionada ROBERTA, que funcionaria como elo entre ambos. Tal pessoa pode ser FÁBIO LULA DA SILVA”, escreveu a PF.
