A política da bajulação custa caro e produz pouco
No último mês de agosto, durante as festividades em alusão ao aniversário da nossa cidade, assistimos ao tradicional espetáculo do "corta-fitas". Obras foram inauguradas com pompa, discursos inflamados e promessas de que os velhos problemas da sociedade seriam, finalmente, resolvidos. Entre as promessas mais aguardadas estava o pleno funcionamento do Centro de Zoonoses.
Passados pouco mais de dois meses da festa, a maquiagem da propaganda começou a derreter.
O que se vê hoje em Cajazeiras não é a solução prometida, mas uma enxurrada de reclamações legítimas. Moradores e defensores da causa animal denunciam que o Centro de Zoonoses não funciona a contento. Faltam estrutura, assistência real e uma política pública eficaz para os animais de rua.
Mas a resposta da gestão pública a essas cobranças segue um roteiro vergonhoso: o contra-ataque.
Em vez de apresentar soluções, o que a cidade testemunha nos microfones das rádios locais e nas redes sociais é o batalhão de bajuladores do poder entrando em ação. São assessores diretos, indiretos e ocupantes de cargos de confiança — muitos deles improdutivos em todos os sentidos, mas com salários pomposos bancados pelo bolso do contribuinte — que se dedicam exclusivamente a atacar quem cobra e a mascarar a realidade.
É a velha tática de tentar calar o povo para proteger os próprios privilégios. A gestão pública de Cajazeiras precisa entender que rádio e rede social servem para ouvir as demandas e prestar contas, não para criar uma bolha de autoelogios alimentada por quem tem medo de perder a boquinha.
O aniversário da cidade passou, os aplausos acabaram e o problema dos animais de rua e da saúde pública continua nas portas dos cajazeirenses. Menos bajulação, senhores secretários. Mais trabalho e mais respeito com o dinheiro do povo.
Redação
