No registro, o gestor municipal eleva o tom de voz para classificar o grupo político adversário como uma "maldição". Sob aplausos, Bal Lins clama: "Que [Nossa Senhora Aparecida] nos livre dessa maldição desses Bolsonaro! Nos livre desses milicianos, desses bandidos, desses ladrões!".
A declaração atinge o ápice da agressividade quando o prefeito direciona o ataque diretamente aos eleitores, afirmando categoricamente que a escolha nas urnas resultaria em punição divina:
"E quem vota em Bolsonaro vai queimar no inferno! Porque Bolsonaro não é gente, ele não é ser humano, essa que é a verdade!".
Mais do que criticar a gestão ou as propostas de um concorrente eleitoral — o que faz parte do jogo democrático —, a postura de Bal Lins transfere o embate político para o campo da heresia e da condenação espiritual. Ao sentenciar que milhares de eleitores "vão queimar no inferno" por exercerem sua liberdade de voto, o prefeito adota um tom de coação psicológica e intolerância inadmissíveis para quem ocupa um cargo de liderança institucional.
A principal função de um prefeito é governar para todos os cidadãos de seu município, independentemente de ideologia ou predileção partidária. Quando um governante sobe em um palanque para demonizar uma parcela de seus próprios munícipes, ele abdica do papel de pacificador e atua como um agente de segregação social.
O episódio reforça a necessidade urgente de resgate da civilidade nas arenas políticas brasileiras. O voto é um direito constitucional fundamental, e sua demonização por meio de discursos escatológicos e violentos apenas aprofunda o abismo da intolerância, mostrando que o maior desafio da democracia atual talvez seja sobreviver aos excessos de seus próprios representantes.
Logo após a grande repercussão de sua fala, o prefeito Bal Lins de São José de Piranhas, gravou um vídeo para pedir desculpas, aos eleitores de Bolsonaro. Veja, abaixo:
Redação com Inf. WhatsApp
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