terça-feira, 21 de julho de 2026

A face do fisiologismo: como a cúpula da Rede vendeu o legado de Marina Silva por cargos na Paraíba

A Rede encolheu e engoliu o pragmatismo fisiológico que devorou o legado de Marina na Paraíba

Desde a sua fundação, a Rede Sustentabilidade foi idealizada sob a égide do desapego ao poder tradicional e da busca por uma "nova política", guiada pelos ensinamentos e pela postura ética de sua maior representante nacional, Marina Silva. A promessa era o pragmatismo programático: debater ideias, defender o meio ambiente, a diversidade e a ética, sem se curvar ao toma lá dá cá das velhas oligarquias. No entanto, ao ancorar no cenário político paraibano, a realidade da sigla tomou um rumo melancólico. Seus representantes "maiores" preferiram a acomodação junto ao poder, deixando de lado o debate profundo para se tornarem especialistas na política de "balançar bandeiras" em benefício de alguns empregos na estrutura do Estado.

O recente impasse dentro da federação PSOL-Rede ilustra perfeitamente esse divórcio ideológico. Enquanto o PSOL tenta demarcar território à esquerda insistindo na candidatura própria de Olímpio Rocha ao governo, para debater a Paraíba real, a direção da Rede opera nos bastidores para sufocar o projeto. Sob a justificativa pública de "fortalecer a bancada federal", a cúpula da Rede esconde o verdadeiro motivo da sua resistência: o medo de perder o abrigo confortável da máquina pública estadual.

Por esta razão, a direção partidária sempre defende caminhar de mãos dadas com o chefe do Poder Executivo. Sem identidade própria e incapaz de formular um projeto majoritário autônomo, a Rede na Paraíba transformou-se em uma legenda satélite, cujo norte político é definido pelo governante de plantão. O preço dessa escolha fisiológica é pago na base: desidratada e dependente de cargos de segundo e terceiro escalão para sobreviver, a sigla assiste ao seu próprio encolhimento, esvaziando-se nas cidades paraibanas e caminhando para a total irrelevância de representação nos municípios. A Rede, que nasceu para ser alternativa, escolheu ser apenas mais um partido de aluguel.

Os cargos da Rede no Governo da Paraíba
A resistência da Rede em lançar candidatura própria e a pressa em fechar com o palanque governista possuem lastro direto no Diário Oficial do Estado. Conforme dados do cenário político paraibano atualizado, as principais lideranças citadas mantêm as seguintes relações com a estrutura estadual:
  • Cristiana Almeida: É a principal ponte da legenda com o governo. Atua como Secretária Executiva de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana. Além de sua própria nomeação, Cristiana estende a influência familiar e partidária na gestão: sua filha, Eduarda Almeida (que preside o diretório estadual da Rede), também atua na articulação de bastidores da federação para garantir a manutenção dos espaços.
  • Gerson Vasconcelos: Histórico porta-voz e dirigente da Rede em João Pessoa, Gerson integra o grupo político abrigado na máquina pública e possui cargo lotado na estrutura da Secretaria de Estado da Educação.
  • Pastor Emanuel Furtado (de Sousa): Conforme apuramos, o Pastor Emanuel — liderança da Rede na região de Sousa e do Sertão — atua historicamente como dirigente partidário alinhado ao bloco governista. Embora tenha figurado em comitivas oficiais e reuniões de alinhamento político com o governador, os cargos operacionais diretos da Executiva da Rede concentram-se majoritariamente nas pastas da Educação e da Mulher.
O Raio-X do loteamento político
Para além dos nomes principais, levantamentos da imprensa paraibana revelam que a Rede Sustentabilidade possui uma extensa lista de membros de seu diretório e da federação espalhados em cargos técnicos e de assessoria nas seguintes secretarias:
  • Secretaria de Estado da Educação: Abriga a maior quantidade de dirigentes da Rede, incluindo nomes da executiva como Ronaldo Luiz, Simão Pedro, Josileny da Silva Abrantes, Ruan Emanuel da Silva Souza e Valdete Rosália da Silva.
  • Secretaria das Mulheres e da Diversidade Humana: Conta com indicados diretos na assessoria, como Johan Vitor Santos Ribeiro, atuando sob o guarda-chuva de Cristiana Almeida.
  • Secretaria de Estado da Saúde: Mantém quadros vinculados, a exemplo de Maria do Socorro Gonçalves de Abrantes, também membro da direção da Rede.
Essa distribuição capilarizada de cargos de menor visibilidade pública, mas de forte impacto financeiro e político para a subsistência do partido, explica por que a Rede dispõe de 8 dos membros na instância estadual da federação e usa essa maioria para tentar barrar qualquer candidatura que ameace sua aliança com o Palácio da Redenção.

Redação