Logo após a solenidade de abertura, a realidade bateu à porta. Uma cuidadora de animais local procurou os serviços do núcleo em busca de assistência, mas deu de cara com a falta de atendimento presencial livre. A denúncia acendeu o alerta na cidade: afinal, o prédio está realmente funcionando ou as portas abertas foram apenas para a foto oficial?
Questionada sobre o bloqueio no atendimento, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Cajazeiras se apressou em apresentar justificativas. Segundo a gestão, o espaço está em funcionamento, mas a "preferência" dos atendimentos recai estritamente sobre cães e gatos de rua, além de ações direcionadas de saúde pública.
O argumento oficial é que o local, por ser um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), deve focar na vigilância em saúde, controle de vetores e doenças coletivas, e não atuar como um consultório veterinário de livre demanda para animais particulares.
Porém, para quem está na linha de frente resgatando animais e tirando dinheiro do próprio bolso para salvá-los, a resposta soou como uma desculpa burocrática para mascarar a falta de estrutura real e de profissionais contratados para a demanda do município.
A entrega de uma obra desse porte justamente no atual período político levanta uma questão inevitável: a inauguração foi planejada para resolver o problema crônico do abandono de animais ou foi apenas uma estratégia por aproximação com o período eleitoral?
Historicamente, o eleitorado está acostumado a ver fitas sendo cortadas e prédios pintados que, semanas após o pleito, acabam abandonados ou funcionando de forma precária. O início turbulento do Núcleo de Zoonoses dá margem para que os defensores da causa animal desconfiem de que a inauguração tenha sido um ato meramente político e eleitoreiro.
Convocação Geral: protetores devem fiscalizar "In Loco"
A diferença técnica entre o controle de zoonoses coletivo e o atendimento clínico particular existe, mas isso não justifica o tratamento fechado para quem mais precisa de apoio: os cuidadores da cidade. É inadmissível que o município receba uma estrutura nova e os protetores continuem desamparados.
Por isso, fazemos um chamado a todos os cuidadores, protetores independentes e cidadãos de Cajazeiras: é hora de fiscalizar "in loco".
- Vá até o prédio do Núcleo de Zoonoses.
- Solicite os atendimentos necessários para os animais resgatados.
- Documente em foto ou vídeo qualquer recusa de serviço ou justificativa vaga.
- Exija os seus direitos e a contrapartida dos impostos pagos.
Cobramos publicamente da Secretaria Municipal de Saúde a criação e a divulgação urgente de um fluxo claro, transparente e desburocratizado de atendimento voltado especificamente para os protetores cadastrados da cidade. A causa animal não pode esperar o calendário eleitoral passar para ter direito à saúde digna.
Redação
