quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Primo de Júnior Araújo declara que não votará com João Azevedo caso Chico Mendes figure como primeiro suplente

A declaração bombástica do ex-prefeito de Cajazeiras, Dr. Carlos Antônio, ao carimbar que não votará em João Azevêdo caso Chico Mendes ocupe a primeira suplência ao Senado, joga gasolina no já inflamado cenário político do Sertão paraibano. O movimento é direto, tem tom de ultimato e mexe em um vespeiro de alianças que parecia milimetricamente redesenhado para as eleições de 2026.

No centro desse turbilhão, o deputado estadual Júnior Araújo (PP) se vê empurrado para uma complexa e desconfortável corda bamba política.

Para Júnior Araújo, a postura de seu primo e principal aliado histórico, Dr. Carlos Antônio, cria um curto-circuito de alta voltagem. O deputado precisa equilibrar três pratos pesados que giram em direções opostas:

  • O Vínculo de Sangue e a Base Local: Dr. Carlos Antônio é o esteio do grupo político de Júnior Araújo em Cajazeiras. Ignorar o grito de revolta do primo contra Chico Mendes enfraquece a identidade do grupo perante o eleitorado local, que assistiu a anos de embates ferrenhos entre Araújo e Mendes.
  • A Fidelidade ao Palácio: Júnior Araújo integra o (PP), antes filiado ao mesmo partido de João Azevêdo (PSB). Ele faz parte da base governista que dá sustentação ao projeto de reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP), cujo grupo é liderado pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro. Romper ou tencionar com a chapa majoritária estadual por causa de uma suplência pode fechar as portas do governo para seus pleitos e emendas.
  • O Inimigo Íntimo: Chico Mendes abriu mão da própria reeleição para pavimentar o caminho de sua esposa, Nil Braz Mendes, rumo à Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Isso significa que a ala de Chico Mendes disputará votos diretamente no mesmo território e para o mesmo cargo de Júnior Araújo. Ver o rival ser alçado a primeiro suplente de senador com o aval do governo é um sapo difícil de engolir.
A jogada de Dr. Carlos Antônio é arriscada. Ao se alinhar formalmente à prefeita Corrinha Delfino — que reza na cartilha de Lucas e Aguinaldo Ribeiro —, o ex-prefeito tenta criar uma blindagem: ele jura lealdade ao candidato ao Governo (Lucas Ribeiro), mas desfere o golpe na vaga do Senado (João Azevêdo), personalizando o veto estritamente na figura de Chico Mendes.
Politicamente, a estratégia tenta isolar Chico Mendes, expondo que o deputado, apesar do prestígio com João Azevêdo, ainda carrega uma rejeição intransponível no reduto cajazeirense. No entanto, o efeito colateral recai sobre Júnior Araújo. O deputado estadual agora terá que gastar um precioso capital político explicando o inexplicável: como manter os pés no Palácio da Redenção enquanto seu principal general prega a rebeldia contra a principal peça da chapa majoritária? 
Se Júnior Araújo silenciar, demonstrará submissão aos desígnios palacianos, desagradando sua base raiz em Cajazeiras. Se endossar o discurso do primo, flertará com o isolamento estadual.
Em uma eleição onde o grupo de Chico Mendes avança com Nil Braz na disputa pela ALPB, a neutralidade é um luxo que Júnior Araújo não possui. O tabuleiro de Cajazeiras provou, mais uma vez, que no Sertão as feridas locais sangram muito mais do que os acordos firmados na capital paraibana.

Redação