Discussões em grupos de mensagens revelam indignação de moradores, cobranças à gestão municipal e debate tenso sobre direito de defesa, zoonoses e responsabilidades
O clamor popular ganhou contornos dramáticos em grupos locais de troca de mensagens. Em registros obtidos pelo nosso Blog, cidadãos expressam revolta e relatam o cotidiano de medo ao caminhar pelas vias da cidade, divididos entre a empatia pelos animais e o desespero pela integridade física.
Clima de medo: O tom das conversas reflete o esgotamento dos moradores diante da inércia do poder público. Uma das participantes desabafou sobre a insegurança crônica que afeta quem precisa andar a pé pelos bairros, levantando também o temor de infecções e doenças:
"Essa questão dos cachorros aqui tá imoral mesmo. Fui atacada andando a pé. A gente já anda com medo, rapaz. A questão não é maltratar, é se defender! Como a gente vai adivinhar se o cachorro tá doente ou não? Além do sofrimento que é levar uma mordida...", relatou uma moradora.
A gravidade do cenário é endossada por outros participantes, que destacam o sofrimento mútuo causado pelo abandono. "É sofrimento pra eles [os cães], com certeza! Mas é bom pra o povo tá sendo atacado? Claro que não", pontuou outro integrante do grupo.
A tensão escalou a ponto de gerar debates sobre a culpa e a responsabilidade civil no município. Moradores cobram que ninguém deveria ser penalizado por simplesmente transitar nas ruas: "Uma pessoa de bem e em sã consciência não vai maltratar um animal, mas tbm ninguém merece ser atacado né?! Pq eles atacam a gente do absoluto nada. E a gente tem culpa? De que mesmo?", questionou outro participante.
Conflito com protetores e cobrança de órgãos competentes
O desespero da população também acabou gerando atritos com os protetores independentes da causa animal em Cajazeiras. Enquanto alguns reconhecem que o voluntariado faz "o impossível", outros moradores criticam a falta de uma articulação mais incisiva junto às autoridades e cobram medidas drásticas sobre quem deve arcar com o problema.
"Quem vem brigar que deveria carregar para casa. Vou muito levar mordida por conta dos 'protetores' que se dizem do governo", disparou indignado um dos participantes.
Outro integrante do debate seguiu a mesma linha de raciocínio, cobrando uma postura voltada às esferas oficiais: "Acho que se os protetores fossem tão protetores assim, deveriam se juntar pra procurar os órgãos competentes e acabar com a situação de rua deles. Mas só aparecem quando é conveniente e pra julgar os outros".
Por outro lado, defensores da causa animal reiteram que a sociedade civil e os voluntários não possuem recursos nem a estrutura que cabe originalmente ao poder público, enfatizando que "as autoridades precisam ver isso com cuidado e urgência".
Além do medo físico, a revolta dos cajazeirenses se direciona à eficácia das políticas públicas praticadas no município. A população aponta que as ações promovidas pela gestão municipal não passam de intervenções pontuais e paliativas, que não resolvem o cerne do problema de forma macro.
Uma das cobranças mais incisivas e repetidas nas discussões diz respeito a um equipamento específico comprado para atuar diretamente no controle populacional desses animais, mas cujo paradeiro e funcionamento regular são amplamente questionados pela comunidade:
"Uma das coisas que presto atenção, cadê a tal do castramovel ??? Só conversa fiada gente", protestou um cidadão.
O reflexo direto dessa superlotação de animais nas ruas se faz sentir no trânsito e na média complexidade hospitalar. Acidentes provocados por cães cruzando pistas escuras ou avenidas movimentadas têm deixado vítimas feridas, muitas das quais necessitam de socorro imediato e dão entrada no Hospital Regional de Cajazeiras.
Fiel ao compromisso com o jornalismo ético e o princípio do contraditório, o Blog FOLHA VIP DE CAJAZEIRAS deixa o espaço integralmente aberto para que a Prefeitura Municipal de Cajazeiras, por meio de suas secretarias competentes, Vigilância Sanitária ou Secretaria de Comunicação Institucional, apresente esclarecimentos sobre o cronograma de funcionamento do Castramóvel, projetos de abrigamento e o plano de manejo para conter a crise sanitária e de segurança viária que assombra a cidade.
Redação


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