Ex-prefeito de Sousa é candidato ao cargo de deputado federal nas Eleições 2026 e uma das apostas do partido
O presidente nacional do PSB, João Campos, anunciou nesta terça-feira (29) que o ex-prefeito de Sousa e candidato a deputado federal Fábio Tyrone será expulso do partido. A declaração foi dada durante o debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco, após a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, provocar o socialista.
Raquel lembrou que o PSB abriu um processo interno contra Tyrone após a condenação pela agressão à ex-namorada, a advogada Myriam Gadelha, e citou o pedido feito pela deputada federal Tabata Amaral, atual esposa de João Campos, para que o caso fosse concluído.
Segundo João, o processo havia sido encerrado antes de ele assumir o comando da legenda, mas foi reaberto por iniciativa de Tabata após a repercussão do caso e a pressão nas redes sociais pela expulsão de Tyrone.
“Esse caso estava fechado antes de eu assumir a presidência do partido, foi reaberto por iniciativa de Tabata e há alguns dias eu já determinei a expulsão dele do PSB. O Conselho de Ética vai expulsá-lo do partido”, afirmou João Campos durante o debate.
Tyrone é aposta do PSB da Paraíba
A decisão anunciada pelo presidente nacional ocorre em meio à campanha eleitoral e chama atenção porque Tyrone é o candidato do PSB na Paraíba que mais recebeu recursos do Diretório Nacional para a disputa da Câmara dos Deputados.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tyrone recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral. O valor é mais que o dobro dos R$ 633,3 mil destinados à vereadora Jailma Carvalho, segunda candidata do PSB mais beneficiada com recursos nacionais.
Tyrone recebeu ainda mais de quatro vezes o valor destinado a Lídia Moura, que ficou com R$ 341,6 mil. Lídia foi secretária da Mulher durante a gestão do então governador João Azevêdo, atual presidente estadual do PSB.
Condenação e pressão pela expulsão
Tyrone foi condenado por violência doméstica após agredir Myriam Gadelha em 2018. Em abril deste ano, a pena foi reduzida para dez meses. Posteriormente, ele foi considerado apto para disputar a eleição após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A condenação provocou reação de movimentos de mulheres e pressão para que o PSB retirasse Tyrone da disputa. Nas redes sociais, integrantes do partido e ativistas cobraram a expulsão do então pré-candidato.
Foi nesse contexto que Tabata Amaral apresentou a representação que levou à reabertura do processo interno.
Fábio Tyrone se explica
Tyrone afirmou que se arrepende do episódio e disse que a agressão não representa sua trajetória. “Não é a minha conduta, basta ver minha trajetória. Pelo contrário, eu fui forjado dos movimentos sociais e sobretudo na defesa do respeito à mulher. Aconteceu isso comigo, infelizmente, mas eu não posso pagar a vida toda por um erro cometido há 8 anos, há 9 anos”, afirmou.
O candidato também disse que nunca foi formalmente ouvido sobre o processo interno, mas que está prontos para fazer a sua defesa. "Respeito a instância partidária e estou pronto para prestar qualquer esclarecimento", afirmou.
Jornal da Paraíba