Coordenador do Setorial de Esportes do PT-PB critica mercantilização do futebol moderno e o atual modelo da Seleção Brasileira
Kim Alves, que acumula as funções de Coordenador do Setorial de Esportes do PT da Paraíba, presidente do diretório municipal do partido em Cajazeiras e consultor desportivo, utilizou o espaço para analisar o cenário atual do futebol e as expectativas para a Copa do Mundo.
O esporte como direito constitucional
Durante a sabatina, o professor aposentado da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) enfatizou que o acesso às práticas esportivas não é um privilégio, mas um direito garantido por lei.
"O artigo 217 da Constituição Cidadã estabelece: É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um", relembrou Alves.
Segundo o coordenador, cabe especialmente aos municípios a responsabilidade de descentralizar e democratizar o esporte. Ele pontuou que projetos locais eficientes são capazes de afastar jovens da vulnerabilidade social e da violência, promovendo saúde, disciplina e cidadania. "Educação, cultura e esporte são as principais ferramentas para o crescimento de um ser humano", destacou.
Da "Pátria de Chuteiras" ao "Balcão de Negócios"
Ao analisar o futebol de alto rendimento e a Seleção Brasileira em tempos de Copa do Mundo, Kim Alves adotou um tom crítico. O especialista citou o cronista Nelson Rodrigues para contrapor o romantismo do passado com a realidade financeira atual do esporte.
"A pátria de chuteiras virou negócio de chuteiras. Durante muito tempo, a seleção brasileira foi vendida ao país como uma espécie de altar cívico. Hoje é um balcão de negócios. Não entram os melhores; entram os que têm empresário bom e pai investidor", criticou.
Para o professor, o torcedor foi transformado estritamente em consumidor, fazendo com que o gol vire lucro e o jogador, um ativo de mercado. Ele apontou que, apesar da magnitude de uma Copa do Mundo, o impacto no comércio local muitas vezes se restringe à venda de camisas.
Comparativo de gerações
Alves encerrou sua participação fazendo um paralelo técnico e motivacional entre os atletas do passado e os da atualidade. Ele relembrou craques históricos que enfrentavam forte concorrência interna, como Ademir da Guia — "O Divino" —, que foi reserva no mundial de 1974 mesmo sendo o maior ídolo da história do Palmeiras.
Na visão do consultor, a atual safra de atletas brasileiros que atua na Europa entrega um desempenho aquém do esperado pelo torcedor. "A geração atual joga de forma burocrática e abaixo da intensidade, garra e vibração de ídolos do passado", concluiu.

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