Com a escolha da médica e ex-vice-governadora, o grupo governista encerra semanas de impasses nos bastidores e consolida palanque alinhado ao Palácio do Planalto na Paraíba
O mistério chegou ao fim na política paraibana. O governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (Progressistas), anunciou oficialmente nesta terça-feira (11) a médica e empresária Lígia Feliciano (União Brasil) como a sua candidata a vice-governadora para o pleito de outubro.
A confirmação aconteceu por meio de um vídeo conjunto publicado no Instagram de Lucas Ribeiro. O anúncio põe fim às intensas especulações de bastidores que se arrastavam desde a convenção do grupo, realizada no último dia 5 de agosto, quando a vaga havia ficado em aberto.
Com essa definição, a chapa governista está oficialmente selada para o registro eleitoral, unindo Lucas Ribeiro (Governo), Lígia Feliciano (Vice), além de João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos), que disputam as duas cadeiras da Paraíba no Senado Federal. Com a entrada de Lígia na majoritária, seu filho, Renato Feliciano, deixa a vaga de suplente de Nabor no Senado.
No vídeo de anúncio, o governador adotou um tom focado nas entregas administrativas e no avanço do estado:
“Para continuar nessa pisada, a gente precisa de gente preparada, com experiência, que conhece o nosso estado”, afirmou Lucas Ribeiro ao dar as boas-vindas à sua companheira de chapa.
Lígia Feliciano, por sua vez, reforçou estar pronta para assumir o desafio:
“Quero levar minha experiência para trabalhar ao seu lado por uma Paraíba que cresce cada vez mais”, destacou a candidata.
Natural de Campina Grande, a médica traz um dos currículos mais experientes para a função na história do estado. Ela ocupou a cadeira de vice-governadora por dois mandatos consecutivos: foi eleita em 2014 na chapa de Ricardo Coutinho (PT) e reeleita em 2018 ao lado de João Azevêdo. Mais recentemente, atuou no Governo Federal em Brasília, em uma diretoria focada em segurança alimentar no Ministério do Desenvolvimento Social.
Os bastidores da escolha: Critério ideológico e freio ao bolsonarismo A definição por Lígia Feliciano foi o desfecho de um complexo xadrez político. Nas últimas semanas, diversos nomes da base aliada foram ventilados. O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), abriu mão da disputa para focar na chapa proporcional de seu partido, enquanto a cotação da tenente-coronel Viviane Vieira (PSB) acabou perdendo força na reta final de negociações.
Contudo, o ponto de virada nos bastidores envolveu outro forte cotado: o deputado estadual Eduardo Carneiro (PP). Carneiro teve o nome rifado após vídeos antigos seus pedindo votos para o ex-presidente Jair Bolsonaro voltarem a circular com força nas redes sociais.
Como a base governista da Paraíba conta com o apoio central de partidos progressistas e de esquerda, como o próprio PT, o comitê político definiu que a vaga de vice não poderia ser ocupada por ninguém associado ao bolsonarismo. A chapa precisava estar firmemente alinhada com o palanque de reeleição do presidente Lula.
Mesmo filiada ao União Brasil — legenda que nacionalmente abriga alas de centro-direita —, Lígia Feliciano preencheu todos os requisitos exigidos pelo grupo. Historicamente vinculada a coalizões de centro-esquerda na Paraíba e com trânsito livre no governo federal (seu outro filho, Gustavo Feliciano, é o atual ministro do Turismo de Lula), ela blindou o palanque de Lucas Ribeiro de qualquer ruído ideológico com o eleitorado progressista.
A escolha acabou sendo considerada uma "solução caseira" e segura, visto que o União Brasil está federado ao Progressistas, partido do próprio governador. Com o martelo batido, a militância governista agora foca o trabalho inteiramente nas ruas para o início oficial da campanha.
Redação