terça-feira, 14 de julho de 2026

Dados do TCE-PB revelam atrasos em pagamentos e lixo volta a queimar em Cajazeiras

A propaganda oficial da Prefeitura de Cajazeiras bateu no peito para dizer que o lixão havia sido "definitivamente encerrado" e que o município vivia uma nova era ambiental. Mas a cortina de fumaça caiu — literalmente. A fumaça tóxica que voltou a castigar os moradores do entorno do antigo aterro sanitário nos últimos dias não é fruto do acaso. Ela é o resultado visível de um colapso financeiro que acaba de ser comprovado por documentos oficiais.

Se a prefeitura insistia em dizer que o envio do lixo para a empresa contratada estava funcionando perfeitamente, os dados do sistema SAGRES do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB) contam uma história completamente diferente e alarmante.

Tivemos acesso exclusivo a um empenho oficial emitido em 07 de maio de 2026 em nome da empresa Unidade Sousa Tratamento de Resíduos Ltda (CNPJ 17.898.082/0001-36) — nome fantasia: CVR VALE DO SERTÃO - prestadora de serviços sediada estrategicamente às margens da BR 230, Zona Rural, Sousa/PB.

O documento revela que o último empenho registrado foi para pagar os serviços do mês de abril de 2026, no valor de R$ 95.567,94. O que assusta é o vácuo que vem depois: não há registros quitados ou empenhos subsequentes regularizados para os meses de junho e julho deste ano, escancarando que os pagamentos mais recentes estão completamente em aberto.

Ou seja: o que antes corria nos bastidores como um mero rumor de calote, agora é um fato documentado pelo órgão que fiscaliza o dinheiro público. A prefeitura travou os repasses para a destinação final do lixo.

Quando a gestão municipal deixa de honrar os contratos de saneamento e tratamento de resíduos, o reflexo é imediato na ponta. Sem o fluxo financeiro e o transbordo operando como deveria, o lixo volta a acumular no solo do antigo aterro. Abandonado e exposto, esse material vira combustível para incêndios e liberação de gases tóxicos na vizinhança.

Destinar quase R$ 100 mil mensais em contratos de destinação final e deixar o sistema colapsar por falta de pagamento é um desrespeito duplo: com o dinheiro do contribuinte e com a saúde de centenas de famílias que são obrigadas a respirar fumaça preta dentro de suas próprias casas.

A Secretaria de Meio Ambiente e a chefia do Executivo não podem mais ignorar o problema ou culpar terceiros. O documento do TCE-PB está na mesa. A população de Cajazeiras exige respostas imediatas e a quitação desses débitos para que o transbordo seja retomado com urgência. Chega de soluções de fachada!


Redação