terça-feira, 16 de junho de 2026

Esporte é inclusão e dever do Estado, defende Kim Alves em entrevista

Coordenador do Setorial de Esportes do PT-PB critica mercantilização do futebol moderno e o atual modelo da Seleção Brasileira

Em entrevista concedida ao Programa Sem Limites, da Rádio Difusora de Cajazeiras, conduzido pelo apresentador Fernando Antônio, o Professor Mestre Joaquim Alves Neto, conhecido publicamente como Kim Alves, defendeu o esporte como uma ferramenta essencial de transformação social e ressaltou a obrigação constitucional do poder público em investir no setor.

Kim Alves, que acumula as funções de Coordenador do Setorial de Esportes do PT da Paraíba, presidente do diretório municipal do partido em Cajazeiras e consultor desportivo, utilizou o espaço para analisar o cenário atual do futebol e as expectativas para a Copa do Mundo.

O esporte como direito constitucional

Durante a sabatina, o professor aposentado da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) enfatizou que o acesso às práticas esportivas não é um privilégio, mas um direito garantido por lei.

"O artigo 217 da Constituição Cidadã estabelece: É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um", relembrou Alves.

Segundo o coordenador, cabe especialmente aos municípios a responsabilidade de descentralizar e democratizar o esporte. Ele pontuou que projetos locais eficientes são capazes de afastar jovens da vulnerabilidade social e da violência, promovendo saúde, disciplina e cidadania. "Educação, cultura e esporte são as principais ferramentas para o crescimento de um ser humano", destacou.

Da "Pátria de Chuteiras" ao "Balcão de Negócios"

Ao analisar o futebol de alto rendimento e a Seleção Brasileira em tempos de Copa do Mundo, Kim Alves adotou um tom crítico. O especialista citou o cronista Nelson Rodrigues para contrapor o romantismo do passado com a realidade financeira atual do esporte.

"A pátria de chuteiras virou negócio de chuteiras. Durante muito tempo, a seleção brasileira foi vendida ao país como uma espécie de altar cívico. Hoje é um balcão de negócios. Não entram os melhores; entram os que têm empresário bom e pai investidor", criticou.

Para o professor, o torcedor foi transformado estritamente em consumidor, fazendo com que o gol vire lucro e o jogador, um ativo de mercado. Ele apontou que, apesar da magnitude de uma Copa do Mundo, o impacto no comércio local muitas vezes se restringe à venda de camisas.

Comparativo de gerações

Alves encerrou sua participação fazendo um paralelo técnico e motivacional entre os atletas do passado e os da atualidade. Ele relembrou craques históricos que enfrentavam forte concorrência interna, como Ademir da Guia — "O Divino" —, que foi reserva no mundial de 1974 mesmo sendo o maior ídolo da história do Palmeiras.

Na visão do consultor, a atual safra de atletas brasileiros que atua na Europa entrega um desempenho aquém do esperado pelo torcedor. "A geração atual joga de forma burocrática e abaixo da intensidade, garra e vibração de ídolos do passado", concluiu.


Fonte: 22 de Agosto Futebol Clube