O cenário político na Paraíba esquentou na manhã deste domingo (24)
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| André Gadelha assume titularidade do mandato na ALPB |
A acusação de Gadelha mexe diretamente com o núcleo duro do poder estadual. Aguinaldo Ribeiro é tio do atual governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), que assumiu definitivamente o comando do estado em abril de 2026 após a renúncia de João Azevêdo.
A ofensiva da oposição não ocorre por acaso. André Gadelha é o principal articulador na Assembleia Legislativa (ALPB) para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de devassar os contratos da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA).
Os Argumentos da Oposição na Mira da CPI
A bancada de oposição e críticos do governo baseiam suas desconfianças em três pontos principais ocorridos no certame da B3:
O contrato de R$ 3 bilhões atraiu apenas um único interessado, o grupo espanhol Acciona.
Sem concorrência na disputa de lances, a Acciona arrematou o bloco oferecendo um desconto irrisório de apenas 1% sobre o teto estipulado.
O leilão, previsto para março, foi adiado pelo comitê estadual para maio sob a justificativa de conceder prazo aos investidores, mas o mercado não respondeu com novos concorrentes.
Para Gadelha e opositores, o formato do certame e o peso político da família Ribeiro na Paraíba deixam margem para questionamentos sobre um suposto direcionamento.
O Outro Lado: O que diz o Governo Lucas Ribeiro
O Palácio do Governo e a direção da CAGEPA rebatem veementemente as insinuações, classificando o movimento de André Gadelha como "discurso puramente eleitoreiro" e desprovido de provas materiais. A defesa técnica do projeto sustenta que:
Todo o processo de modelagem, estruturação financeira e elaboração do edital da PPP foi conduzido e auditado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que blindaria o leilão contra interferências políticas regionais.
O governador Lucas Ribeiro reforçou publicamente que a CAGEPA continua 100% pública e estatal. A Acciona atuará exclusivamente na expansão e operação da rede de esgotamento sanitário em 85 municípios pelos próximos 25 anos, enquanto a água e o faturamento seguem sob controle do estado.
O governo argumenta que a presença de um único proponente reflete as condições macroeconômicas atuais do setor de infraestrutura, e não um arranjo político.
Com as cartas na mesa e o avanço da coleta de assinaturas para a CPI da CAGEPA, a concessão do saneamento básico promete ser um dos principais campos de batalha da política paraibana nos próximos meses.
Redação
