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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Hytalo Santos: McLaren de R$ 2,8 milhões e Tesla Cybertruck vão a leilão após serem penhoradas em processo que envolve influenciador paraibano

Cinco veículos avaliados em R$ 4,8 milhões serão leiloados na Paraíba após decisão da Justiça do Trabalho

Cinco veículos de luxo penhorados em um processo trabalhista que envolve o influenciador Hytalo Santos vão a leilão nesta segunda-feira (14/9), na Paraíba. Os bens foram avaliados em R$ 4,8 milhões e serão vendidos para evitar que percam valor enquanto a ação continua em tramitação na Justiça do Trabalho.

Entre os itens estão uma McLaren Artura Spider, avaliada em R$ 2,85 milhões, uma Tesla Cybertruck, estimada em R$ 1,45 milhão, um UTV da Bombardier e duas motos aquáticas da mesma marca.

O pregão estava inicialmente marcado para 31 de agosto, mas acabou adiado pela Justiça do Trabalho. Os veículos poderão ser arrematados individualmente ou em conjunto.

McLaren e Tesla concentram os maiores valores

A McLaren Artura Spider é o bem mais caro do lote. O modelo híbrido, ano 2024/2025, foi avaliado em R$ 2,85 milhões e terá lance inicial de R$ 2,565 milhões. De acordo com o catálogo do leilão, o veículo está em “excelente estado”, mas não possui o cabo carregador.

Tesla Cybertruck, ano 2024/2024, foi avaliada em R$ 1,45 milhão. O lance mínimo será de R$ 1,305 milhão. O catálogo também classifica o veículo elétrico como estando em “excelente estado” e informa que, em 2 de março, a bateria registrava 72% de carga.

O lote inclui ainda um UTV Bombardier, avaliado em R$ 200 mil, com lance inicial de R$ 180 mil. O veículo é descrito como estando em “razoável estado de uso e conservação”.

As duas motos aquáticas foram avaliadas em R$ 180 mil e R$ 120 mil, com lances mínimos de R$ 162 mil e R$ 108 mil, respectivamente. Uma delas recebeu o nome de “EURO”, apelido usado por Israel Nata Vicente, marido de Hytalo, enquanto a outra foi identificada como “OI EURO”. Os nomes aparecem nas inscrições das embarcações na Capitania dos Portos.

Os veículos estão armazenados no depósito do leiloeiro, em Bayeux, na Paraíba. Uma das motos é descrita como nova e a outra como seminova.

O leilão será realizado pela internet, no site da Marco Túlio Leilões. A comissão do leiloeiro é de 5% sobre o valor da arrematação e será cobrada separadamente.

Justiça autorizou venda antes do fim do processo

A Justiça do Trabalho autorizou a venda antecipada dos veículos porque existe o risco de desvalorização ou deterioração dos bens enquanto o processo continua. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (TRT-13), esperar o encerramento definitivo da ação poderia contrariar os princípios da eficiência e da duração razoável do processo.

A legislação permite a venda antecipada de bens penhorados quando há possibilidade de deterioração ou perda de valor. O TRT-13 informou que o processo tramita em segredo de justiça e, por isso, não divulgou a íntegra da decisão nem informou publicamente qual será a destinação do dinheiro obtido com o leilão.

O Ministério Público do Trabalho na Paraíba havia solicitado, em agosto de 2025, o bloqueio de bens de Hytalo e Israel. O pedido incluía os cinco veículos de luxo, empresas e outros bens e valores, até o limite de R$ 20 milhões.

Segundo o órgão, a medida tinha como objetivo garantir recursos para eventuais indenizações individuais e por dano moral coletivo.

Condenação criminal

O processo trabalhista é separado da ação criminal envolvendo Hytalo Santos e Israel Nata Vicente. Em fevereiro, os dois foram condenados em primeira instância por crimes relacionados à exploração sexual de adolescentes.

Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses de prisão, enquanto Israel foi condenado a oito anos e dez meses. Os dois estão presos preventivamente desde 15 de agosto de 2025, quando foram localizados em uma casa alugada em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Eles foram denunciados pelo Ministério Público da Paraíba por tráfico de pessoas, produção de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes e favorecimento da prostituição ou exploração sexual de vulnerável.

Segundo o Ministério Público, os jovens e famílias em situação de vulnerabilidade eram atraídos com promessas de fama e vantagens materiais.

A defesa recorreu da condenação e afirmou que houve racismo e homofobia no julgamento. Os advogados também sustentam que as provas apresentadas não foram consideradas adequadamente e que depoimentos de vítimas e testemunhas afastariam as acusações.


Gazeta de São Paulo